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“Deixa eu em liberdade”, implora Dirceu ao juiz Sérgio Moro. O que Lula mais teme é isso…

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O ex-ministro José Dirceu (Casa Civil/Governo Lula) fez um apelo dramático ao juiz federal Sérgio Moro, nesta sexta-feira, 21. Ele pediu liberdade.

Já condenado a 20 anos e três meses de reclusão por corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa no esquema Petrobrás desmontado pela Operação Lava Jato, Dirceu foi interrogado por Moro em outra ação penal, por suposto recebimento de propinas de empresas fornecedoras da estatal petrolífera.

“Não entrou um centavo na minha conta bancária que não esteja contabilizado”, declarou Dirceu, ao negar o recebimento de vantagens ilícitas. “Quero repetir: não houve nada de ilícito. Faturei 40 milhões (de reais) e ganhei seis em dez anos, 60 mil reais por mês. Se passou à opinião pública que eu tinha ganho 40 milhões e isso vai parecendo que sou uma pessoa que enriqueci de maneira ilícita e tenho um patrimônio que eu não tenho. A verdade é que eu não tenho.”

“Eu, realmente, não tenho nada a ver com isso”, insistiu. “Na verdade eu não devia estar aqui, sinceramente, e não tenho muito o que dizer.”

Ao final de seu depoimento, o ex-ministro disse. “Gostaria de pleitear um direito que eu considero que tenho de responder em liberdade dr. Moro.”

“O sr. não está preso por esse processo”, disse o juiz.

“Por um processo anterior, preso por uma preventiva…a Lava Jato vai repetindo tanto que vira um processo único”, retrucou Dirceu. “No processo anterior eu tenho uma preventiva e estou preso.”

Ele insistiu no apelo dramático ao juiz da Lava Jato. “Não é crível que alguém acredite que eu vou fugir ou que vou obstruir a Justiça, ou muito menos que eu vou ameaçar na situação em que eu tô. Eu preciso sair prá trabalhar prá sustentar minha filha que tem seis anos de idade.”

O ex-ministro usou a recente decisão do Supremo Tribunal Federal como argumento para reiterar o pedido de liberdade – a Corte máxima decidiu que condenados devem ir para a cadeia quando houver decisão de segundo grau judicial. Ele está condenado em primeiro grau judicial.

“Já que o Supremo diz que (é para) cumprir pena após a segunda instância (decidir), suponho que na primeira instância posso pleitear para o sr a minha liberdade.”

Moro tomou a palavra. “Sr. José Dirceu eu já decidi naquele caso, provas naquele processo que o sr. recebeu propinas inclusive quando estava sendo julgado na Ação Penal 470 (Mensalão). Minha compreensão foi essa.”

Dirceu, cauteloso, seguiu na mesma toada. “Não posso fazer contraditório, o sr. é o juiz eu sou réu. Evidente, o sr. tem o juízo do sr, é de lei, e me condenou. Mas se eu obstruísse a Justiça, fugisse ou fosse uma ameaça à ordem pública…Se o Supremo decidiu que (prisão) depois da segunda instância. A realidade da minha família toda é de dificuldade financeira. Não estou falando isso para que tenham piedade de ninguém, a responsabilidade é minha.”

O réu foi mais enfático, ainda. “Deixa eu responder em liberdade meu processo, que eu vou cumprir a minha pena.”

O juiz foi categórico. “O sr. tem um advogado competente que já está recorrendo às instâncias recursais.”

“Eu lhe agradeço e agradeço a tolerância”, rendeu-se José Dirceu.

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